• Stoff Costa

Entrevista com Leador Machado, pré-candidato a prefeito de Araguaína

O ex-juiz do trabalho falou sobre pré-candidatura, envolvimento do Partido dos trabalhadores em escândalos de corrupção, gestão Ronaldo Dimas e projetos para Araguaína-TO.


O Partido dos trabalhadores em Araguaína decidiu por uma candidatura própria na correria eleitoral para sucessão do prefeito Ronaldo Dimas. E o nome escolhido pelo partido para ir pra disputa é do ex-juiz do trabalho, Leador Machado.


O blog "O na íntegra" entrevistou o pré-candidato e abordou temas como a rejeição de uma parcela do eleitorado ao partido dos trabalhadores, escândalos de corrupção envolvendo o partido, prisão do ex-presidente Lula, pré-candidatura a prefeito e projetos para Araguaína-TO.


Leia a matéria a seguir:


O senhor é o nome do PT para disputar a eleição para prefeito de Araguaína. O senhor tem experiência política?


Sou militante político desde que o final de década de 70. Primeiro na Pastoral de Juventude e nas comunidades de base da igreja católica. Depois em associações de moradores, em sindicatos, no Movimento Nacional de Justiça e Não-violência, círculos operários e, por fim, em em 1983, foi fundador do Partido dos Trabalhadores no Gama-DF, cidade onde morava desde 1968, vindo do interior de Minas Gerais. Fundei o PT, militei no mesmo por mais de 20 anos, fui seu advogado nas eleições, fui Diretor de Recursos Humanos da Fundação Hospitalar do Distrito Federal entre 1996 e 1999, quando governamos o DF, na gestão petista de Cristovan Buarque. Sai do PT quando passei no concurso para a magistratura do Trabalho.


Os araguainenses poderiam em uma futura gestão do senhor?


Procuraremos na Prefeitura de Araguaína repetir as experiências de administrações municipais, o que chamamos de "Modo Petista de Governar". Esse modelo está baseado, primeiramente, em três princípios: O do orçamento participativo, onde a comunidade será ouvida na elaboração, na execução e fiscalização da aplicação das verbas orçamentárias; o princípio da inversão de prioridades, onde os recursos serão destinados para as obras definidas pela população, privilegiando as obras que atendem às necessidades imediatas das populações mais pobres e não aquelas que divulguem o nome do prefeito; terceiro, o princípio da radicalização da democracia, onde os moradores de Araguaína serão ouvidos em todas as questões da cidade, especialmente através da implantação e da valorização dos conselhos temáticos e das associações de bairros, cooperativas, e demais organizações populares. Somados a esses princípios, que marcaram com prêmios internacionais as primeiras administrações petistas nos anos 1980/1990, acrescentamos agora os princípios da Transição ecológica e o princípio do Bem-Viver. O primeiro parte do reconhecimento de o sistema capitalista está esgotado, jogou o nosso mundo em uma grave crise climática, econômica e social, e que gerou essa crise sanitária. Para enfrentar isso propomos uma nova relação com a natureza, o que chamamos de Araguaína Agroecológica, onde passamos a tratar a natureza não como uma fonte de exploração mas uma fonte de relação. Nós fazemos parte dela e temos que a respeitar. O Bem-viver decorre disso, de uma nova relação com natureza, observando as experiências dos nossos povos ancestrais, dos indígenas, dos quilombolas, dos assentados do MST, dos ribeirinhos, da quebradeiras de côco, e tantas outros povos que têm uma relação de harmonia com a natureza. Esses princípios vão permear todo o nosso plano de governo.


O PT (Partido dos trabalhadores) enfrentou nos últimos anos uma enxurrada de acusações, escândalos de corrupção e teve o seu maior líder, o ex-presidente Lula preso na lava jato. O senhor não acha que a sigla dificulta aceitação do seu nome?


Vem das acusações de corrupção que pesaram sobre o PT. Eu participei ativamente da política partidária até o início dos 2000. Me afastei por que discordava das alianças que o Partido dos Trabalhadores estavam celebrando para conquistar alguns governos. No DF, por enquanto, nós firmamos alianças com adversários históricos, com graves acusações de corrupção e clientelismo, para viabilizar a coligação a nível federal. Isso foi drástico para o PT do DF que tinha uma história bonita por lá. Com essa política de aliança e com a perspectiva de chegarmos à presidência da república todo tipo de gente começou a se aproximar do PT. Nós que tínhamos critérios para filiação, abrimos mão da qualidade para conquistar quantidade. Chegamos ao Governo Federal, o presidente Lula implementou um programa de redução da miséria e de inclusão social nunca visto nesse país. Um programa ambicioso e que, na visão do Presidente Lula, podia incluir todas as classes sociais, como um grande acordo para transformar o Brasil em um país mais justo. E transformou em uma certa medida como podemos ver pelos diversos projetos sociais que foram implementados durante os governos do PT aqui em Araguaína e no Tocantins. Mas isso teve um preço. Primeiro o governo foi loteado entre os aliados e instaurou-se determinados feudos onde a corrupção teve continuidade como já acontecia nos governos anteriores. A tal conciliação de classe querida pelo Presidente foi aceita até que as elites começaram a ver seus direitos ameaçados, vendo seus filhos sofrendo concorrência nas universidades onde passaram a ingressar filhos das famílias pobres. Começaram a ter que conviver com pobres nos aeroportos e nas praias que antes eram exclusivas. Passaram a ter que respeitar direitos das domésticas e dos peões das fazendas, pois essas pessoas estavam finalmente descobrindo o que é ser cidadão. Essa elite e essa classe média que ocupa os melhores postos deste país não admitiram partilhar esse país com todos. por isso a grande reação contra o PT colocando a pecha inventor da corrupção no Brasil. Isso se agravou com a descoberta do Pré-Sal e com a decisão de que os recursos dali advindos seriam aplicados na redução da desigualdade, especialmente na saúde e na educação. Isso foi a gora dágua. Aí criou-se a operação lavajato e, no bojo da mesma, com um juiz parcial, tendencioso e com ambições políticas, deu-se o golpe de 2016, a farsa do julgamento do Presidente Lula e sua injusta prisão por mais de 500 dias, tirando-o da disputa eleitoral de 2018, dando possibilidade da eleição desse fascista que hoje aí está e abrindo caminho ao Sergio Moro para a política. Não estou aqui a dizer que não houve corrupção nos governos do PT, ela já havia antes e continua a existir, mas os grande instrumentos para o seu combate foram criados ou fortalecidos nos governos do PT e estão agora sendo destruídos pelo grupo de milicianos que assumir o governo em 2019, cujo caminho foi preparado com a operação lavajato, com o golpe de 2016 e com condenação parcial e injusta do Presidente Lula.


Como avalia a atual gestão do prefeito Ronaldo Dimas?


Cheguei aqui em Araguaína quando a gestão de Ronaldo Dimas estava começando e não tenho como não reconhecer que ele fez um bom trabalho na urbanização do centro de cidade e em alguns bairros. Sua gestão é volta para essa política de obras de engenharia que parece ser sua área de formação. Poderia resumir minha avaliação na seguinte máxima: cuidou da cidade e esqueceu de cuidar de seu povo. Se olharmos o caos instaurado na saúde pública de Araguaína, já antes dessa pandemia vamos entender ao que estou me referindo. Quando pessoa que tenha necessitado de um atendimento na UPA ou de fazer uma cirurgia também vai entender do que estou falando. Instaurou-se um processo de terceirização criminoso das atividades públicos jogando os trabalhadores, especialmente da saúde e da educação, numa grande insegurança e precarizando em muitos esses serviços. Constituiu um sistema de aparelhamento do Estado através da contratação nessas empresas terceirizadas e nos contratos temporários transformando os órgãos públicos em cabides de emprego, em detrimento dos contratados, do serviço e dos usuários. A pobreza aumento a olhos vistos aqui na nossa cidade. Os bairros mais distantes estão abandonados à própria sorte. Os servidores públicos e os demais trabalhadores são tratados como adversários ou como correia de transmissão de seus projetos. Nós vamos mudar essa situação. Acabar com a terceirização e com o loteamento de órgãos, priorizar de forma especial a saúde e a educação e investir em um ousado projeto de geração de renda com nossa Araguaína Agroecológica e todos os demais projetos de nosso plano de governo.


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