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"A confusão que Bolsonaro cria é única no planeta". Diz Flavio Dino

Deputados, senadores, presidentes partidários e ex-ministros do mais variados partidos reagiram nesta sexta-feira (15) ao pedido de demissão de Nelson Teich do Ministério da Saúde.





O antecessor de Teich no cargo, Luiz Henrique Mandetta, não fez menção direta ao acontecimento, mas se manifestou no Twitter na hora da decisão:


"Enquanto milhares morrem perdemos tempos em políticas de tentativas e erro", afirmou em nota o presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo.


Teich tomou posse no dia 17 de abril, depois de saída conturbada de Luiz Henrique Mandetta. O médico oncologista vinha tendo divergências com o presidente Jair Bolsonaro em função do uso da cloroquina no tratamento da covid-19. Entre os cotados para substituir Teich, está o secretário-executivo, número dois do ministério, general Eduardo Pazuello.


O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Marcos Pontes, disse que ficou surpreso com a saída de Teich. “Eu não sabia disso, deve ser informação nova. É sempre preocupante, porque é um momento de batalha, mas certamente ele tem uma equipe e essa equipe vai continuar a trabalhar", disse Pontes nesta sexta, em Sorocaba (SP).


"Nós temos muitos problemas para resolver, e é um problema sem dúvida nenhuma, mas nós vamos conseguir vencer, com certeza”, completou o ministro durante visita a uma linha de montagem de respiradores para tratamento de pacientes infectados pelo coronavírus.

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro também se manifestou em uma rede social: "Cenário difícil, em plena pandemia, 13993 mortes até ontem. Números crescentes a cada dia. Cuide-se e cuide dos outros."

Saiba quem falou o quê sobre a saída de Teich do governo:

Entidades ligadas à saúde

Alberto Beltrame, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) - "O CONASS manifesta sua mais alta preocupação com a instabilidade no Ministério da Saúde e na condução da grave emergência em saúde que o país atravessa. Estamos diante da maior calamidade na saúde pública, com o maior número de mortos de nossa história recente. Não é o momento de jogar mais dúvidas neste cenário, que tem infligido tanta dor, sofrimento e morte aos brasileiros. Estabilidade, unidade técnica, esforços conjuntos, ações efetivas e compromisso com a vida e com saúde da população é o que se espera dos gestores neste momento. Em todas as esferas de Governo. A instabilidade e a falta de ações coordenadas e claras, neste momento, são inimigas da saúde e da vida.”


Major Olímpio (PSL-SP), líder do PSL no Senado - "O dia que Nelson Teich aceitou ser ministro eu fiz uma fala que muitos criticaram, dizendo: ele não fica mais de 30 dias ou senão vai ter que rasgar o seu diploma de médico e a sua biografia. Pois Teich não quis rasgar seu diploma, nem jogar fora a sua história de vida. Ele ficou do lado da ciência e do lado da medicina."

José Guimarães (PT-CE), deputado federal e líder da minoria na Câmara - "Enquanto Bolsonaro não confiar na ciência, teremos uma sucessão de problemas no Ministério da Saúde. Estamos no meio de uma pandemia e Teich já é o segundo ministro que deixa um governo lunático que já mostrou não ter o mínimo de liderança para gerir a crise."


Arnaldo Jardim (SP), líder do Cidadania na Câmara - "O ministro da Saúde saiu, durou no cargo 28 dias. Mais uma evidente demonstração de que o presidente tem dificuldade para montar equipe, não suporta ter divergência. Mais do que isso, abdica e recusa qualquer avaliação técnica. Não convive com especialistas. Troca suas impressões pessoais pela ciência. Abre mão da ciência. Hoje o país vive um momento de instabilidade, um momento grave da pandemia. E essa instabilidade tem uma origem, é o comportamento do presidente Bolsonaro."


Fabiano Contarato (Rede-ES), senador - "O ministro da Saúde, Nelson Teich, antes de sair dizia a amigos que estava difícil conciliar os desejos do Presidente (de uso da cloroquina e de flexibilização do isolamento). Agora, deixa o cargo. É mais um médico que não abandona a ciência e se insurge contra um Presidente que, a cada dia, nos leva para uma situação insustentável. Estamos diante de grave crise de saúde, mas mais do que isso: de uma crise política que precisa de uma resposta. O Presidente quer impor um plano catastrófico para o país! Não podemos nos calar diante de loteamento de cargos, de um militar submisso, ou de um político terraplanista e negacionista na Pasta da Saúde."


Reginaldo Lopes (PT-MG), deputado federal - "Está difícil conciliar os desejos de Bolsonaro com a realidade. Essa foi uma das últimas declarações públicas do agora ex-ministro Nelson Teich. O Brasil é governado por alguém fora da realidade e incapaz de ter qualquer sentimento de humildade."


Alessandro Vieira (Cidadania-SE), senador - "Bolsonaro não quer um médico para cuidar da saúde dos brasileiros. Quer um charlatão fanático. Ou um militar burocrático capaz de seguir ordens sem pensar. Dois ministros da saúde demitidos em plena pandemia não é só sinal de incompetência. É crime e está nas margens do homicídio."


Paulo Pimenta (PT-RS), deputado federal - "Bolsonaro age de maneira perversa e dificulta conscientemente o pagamento do auxílio e o apoio as micro e pequenas empresas para impedir as pessoas de fazer a quarentena. É uma estratégia cruel e genocida."


Talíria Petrone (PSOL-RJ), deputada federal - "Nelson Teich acaba de pedir demissão, menos de um mês depois de assumir o Ministério. Quem discorda do Presidente é obrigado a pular do barco, que afunda. Bolsonaro brinca com a vida de milhões de brasileiros, enquanto dezenas de milhares morrem."


Governadores

Flávio Dino (PC do B), Maranhão - "A confusão que Bolsonaro cria é única no planeta. Espero que as instituições julguem o quanto antes a produção de tantos desastres, entre os quais a demissão de DOIS ministros da Saúde em meio a uma gigantesca crise sanitária. O Brasil merece uma gestão séria e competente."


Wilson Witzel (PSC), Rio de Janeiro - "Minha solidariedade, ministro Nelson Teich. Presidente Bolsonaro, ninguém vai conseguir fazer um trabalho sério com sua interferência nos ministérios e na Polícia Federal. É por isso que governadores e prefeitos precisam conduzir a crise da pandemia e não o senhor, presidente. É mais um herói que se vai."


Renato Casagrande (PSB), Espírito Santo: "A saída de mais um ministro da saúde em meio a pandemia, mostra como estamos à deriva no enfrentamento à crise por parte do governo federal. Ou o PR deixa o ministério agir, segundo as orientações da OMS ou vamos perder cada vez mais brasileiros."


Camilo Santana (PT), Ceará - "A saída do segundo ministro da Saúde em menos de um mês traz enorme insegurança e preocupação. É inadmissível que, diante da gravíssima crise sanitária que vivemos, o foco do Governo Federal continue sendo em torno de discussões políticas e ideológicas. Isso é uma afronta ao país."


João Doria (PSDB), São Paulo - "O gesto demonstra mais uma vez a insensibilidade, a intolerância e a incapacidade do presidente Jair Bolsonaro de compreender a dimensão do cargo que ocupa como presidente da republica. Presidente Bolsonaro mistura os canais e pensa que governar o Brasil é administrar sua família. Não é presidente. Espero que o sucessor do ministro Nelson Teich continue seguindo a orientação da medicina e da saúde e que não incorra no grave erro de seguir orientações ideológicas, partidárias, pessoais ou familiares. Um ministro da saúde do Brasil deve proteger a saúde dos brasileiros e não a individualidade da intenção deste ou daquele mandatário."


Fátima Bezerra (PT), Rio Grande do Norte - A saída de dois ministros da saúde em menos de um mês e, o mais grave, em plena pandemia, nos deixa estarrecidos e preocupados com o futuro do nosso país. O que está acontecendo no Brasil não se vê em lugar nenhum do mundo: um governo mergulhado em uma crise política e que deixa em segundo plano, o que deveria ser seu principal dever no momento: o cuidado e a proteção com a saúde das pessoas."

Magistrados e entidades

Felipe Santa Cruz, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - "O ministro da Saúde, Nelson Teich, pediu exoneração nesta manhã. E assim, com método e paciência, Bolsonaro vai destruindo o Brasil e semeando a morte e o descrédito."


Dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) - "Mudanças constantes no Ministério da Saúde comprometem o enfrentamento da pandemia da COVID 19, mostram fragilidades que precisam ser enfrentadas com cidadania, fé e esperança."

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